domingo, 18 de novembro de 2012

A História do Movimento de 1798

A revolução de 1798 tem várias designações como – Conjuração dos alfaiates, Inconfidência da Bahia, Conspiração dos Búzios, Sedição de 1798. Foi o mais importante movimento revolucionário anticolonial que ocorreu em 1798 na cidade de Salvador.
Foram publicados 11 papéis manuscritos em pontos centrais da cidade que foram caracterizados pela devassa como “boletins sediciosos” pelo desembargador Avelar de Barbedo. O governador da capitania da Bahia. Dom Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), mandou fazer uma devassa para identificar o autor. Foram apensos nas devassas dez papéis sediciosos, pois o 11° papel  foi queimado pelo coronel Francisco José de Mattos Ferreira e Lucena. Os papéis sediciosos continham:
- Severas denuncias da exploração colonial;
- Expressavam sentimentos de independência;
- Queriam igualdade de todos perante a lei;
- Formulavam promessa de recompensa para todos os soldados e oficiais dos regimentos pagos.
          A devassa identificou 33 pessoas: soldados da tropa paga, escravos, oficiais militares, professor, médico etc., mas somente foram condenados a forca: os soldados Luiz Gonzaga das virgens e Veiga e Lucas Dantas do Amorim Torres, o alfaiate João de Deus do Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manoel Faustino dos Santos Lira e o ourives Luiz Pires, este último fugitivo e jamais localizado.
Reunião no Campo do Dique
          O governador da Bahia ao examinar os boletins comparando a escrita com os papéis de Luiz Gonzaga das virgens encontrados no porão de sua residência mandou prendê-lo. Acontece que, Luiz Gonzaga era um velho conhecido do governador por ter desertado três vezes e por ser um homem revoltado com a discriminação de cor dominante no exercito e na sociedade baiana.  Essa prisão motivou uma reunião na oficina de Luiz Pires em que ficou decidido pelos presentes: Manoel Faustino, João de Deus, Lucas Dantas, o ourives Nicolau de Andrade e o comerciante de ouro José de Freitas Sacoto uma grande reunião no dia 25 de agosto no Campo do Dique do Desterro para fazer a contagem dos revolucionários e assim, planejar um levante e libertar o soldado Luiz Gonzaga das virgens.
          Acontece que o cabeleireiro Joaquim José de Santana, o ferreiro Joaquim José da Veiga e o soldado José Joaquim de Sirqueira denunciaram a reunião.  No dia da reunião só compareceram 14 pessoas.
           Ao final da devassa, o total foram 41 pessoas presas, mas somente os soldados Luiz Gonzaga das virgens e Veiga e Lucas Dantas do Amorim Torres, o alfaiate João de Deus do Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manoel Faustino dos Santos Lira foram enforcados e esquartejados em 08/ 11/ 1799. O restante dos presos, alguns cumpriram pena fora do Brasil, outros degredados na África e alguns escravos foram condenados a 500 açoites e seus senhores obrigados a vendê-los.

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Fonte:
TAVARES, Luiz Henrique Dias. História da Bahia. EDUFBA/UNESP, 2008

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

As fotografias dos bustos dos líderes do Movimento Revolucionário de 1798

 As imagens dos bustos dos mártires da inconfidência baiana que estão na Praça da Piedade, no centro de Salvador.

Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga


João de Deus do Nascimento


Manoel Faustino dos Santos Lira

Lucas Dantas do Amorim Torres

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os conflitos anticoloniais

1-      Os Motins de 1711
      - O motim do Maneta
      - O motim de Dezembro
      2- Levante do Terço Velho
      3- A prisão dos oficiais da Câmara

      
        Vou começar com os diversos conflitos que ocorreram na Bahia colonial, no século XVIII, contra as autoridades que exerciam o governo em nome do rei de Portugal. Dentre muitos problemas enfrentados, estava à cobrança de impostos que gerava insatisfações devido os altos preços dos artigos importados, exemplo o sal.

         O pacto colonial vigorava entre Portugal (metrópoles) e o Brasil (colônia), em que a colônia fornecia matéria-prima e comprava produtos manufaturados da metrópole. Portugal defendia o monopólio do comércio: somente navios portugueses entravam na Bahia de todos os santos. E  a colônia só podia comprar e vender para a metrópole.
Portugal fixava preços em todos os produtos da colônia, como: açúcar, algodão fumo, couro etc. Todos os comerciantes eram subordinados ao rei de Portugal. Assim geraram conflitos na colônia.

                                                    
1-      Os motins de 1711

a)      O motim do Maneta – foi um protesto contra o aumento de 10% nos preços dos
 artigos importados. Esse aumento do imposto por Portugal teve o objetivo de auxiliar as despesas com os navios de guerra mandados pelos portugueses para proteger o litoral brasileiro que estava sendo freqüentado por navios piratas da Inglaterra e da França.
Outro objetivo do motim foi o alto preço do sal que beneficiava o comerciante Manoel Dias Filgueiras, que possuía uma loja que fornecia sal para toda a Capitania da Bahia.

        No dia 19 de outubro de 1711, o juiz do povo Cristóvão de Sá levou as solicitações dos comerciantes insatisfeitos ao governador, o Terceiro Conde de Castelo Melhor, Pedro de Vasconcellos e Sousa. Este discordou das reivindicações e ordenou que todos se recolhessem as suas casas. Desconte com posição do governador, o comerciante João de Figueredo Costa, apelidado de Maneta, chefiou uma invasão e destruição do depósito de sal de Manoel Dias Filgueiras. Depois disso, João de Figueredo Costa dirigiu-se com seus companheiros para outro depósito de sal, este no Cruzeiro do São Francisco, propriedade de um sócio de Filgueiras, Manoel Gomes Lisboa. Mas foram detidos pela intervenção do Bispo D. Sebastião a pedido do governador. Para acabar com as manifestações, o governador concordou em abaixar o preço do sal e deu amplo perdão a todos os insatisfeitos.

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Fonte:
História da Bahia - Luis Henrique Dias Tavares
Fonte da imagem: pt.wikipedia.org

domingo, 3 de junho de 2012

A História da Festa Junina


           Festa que se originou na Europa da Idade Média que era realizada pelos camponeses em junho, durante o solstício de verão. Eles comemoravam a fertilidade da terra em agradecimento de boas colheitas e pediam bons frutos para os próximos plantios.

          A festa foi incorporada pela Igreja Católica e está lhe deu novos significados atribuindo a celebração aos santos:
          Santo António - 13 de junho data da sua morte. Foi um padre franciscano que viveu no século XII, chamava-se Fernando Bulhões, nascido em Lisboa em 1195. Recebeu o nome Antônio ao entrar para Ordem de Santo Agostinho de São Francisco. Ficou famoso por ajudar as donzelas conseguirem dotes para se casarem, por isso é considerado santo casamenteiro. É um dos santos de maior devoção no Brasil.




               São Pedro - (29 de junho) apóstolo e primeiro Papa, fundador da Igreja Católica. Foi pescador por isso é considerado protetor dos pescadores.




          São João - 23 de junho, véspera do nascimento do santo. João Batista, filho de Isabel e Zacarias, foi quem iniciou o ritual do batismo no Rio Jordão, lugar de suas pregações, ali ele batizou seu primo Jesus.  Devido as suas pregações que incomodaram a moral da elite reinante da época, foi morto no dia 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina, degolado por ordem de Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé.

         As festas juninas foram introduzidas ao Brasil pelos padres jesuítas durante o processo de colonização no século XVI, como uma forma de catequizar os índios. Com o tempo, a festa sofreu um processo de transformação cultural, adaptando-se a diversas regiões do país. E sofreu influências indígenas e africanas.
Os elementos que marcam as festas juninas são:

A)  O fogo, a fogueira e o mastro – simbolizam a passagem da Bíblia em que Isabel teria acendido uma figueira ao lado do mastro para anunciar a Maria, mãe de Jesus, o nascimento de João Batista.

    B)  A culinária no Brasil é historicamente relacionada com o milho como a canjica no nordeste,  o curau em São Paulo, Mato Grosso e Goiás e a canjiquinha no Rio de Janeiro. Há também outros pratos juninos como: bolo de milho, pé de moleque, paçoca de amendoim, milho assado na fogueira, arroz doce e a pamonha que tem sua origem africana. Certamente não poderia deixar de citar a bebida quente, o quentão e a cachaça.
          Em Portugal, o São João é uma festa tradicional e importante, e a sua culinária não é especifica, mas é comum o carneiro ou leitão assado, a pinga e bolos.

     C) A quadrilha de salão é um estilo em que várias pessoas dançam juntas e não podem errar os passos. Originou-se na Inglaterra no século XVI, entre a aristocracia, mas foi popularizada pelos camponeses. Difundida pela França para toda Europa, daí perdeu sua aristocracia inglesa primitiva.  Foi introduzida no Brasil com a vinda da Família Real Portuguesa em 1808, ganhou o interior como parte dos festejos juninos, tornando-se uma dança tipicamente caipira.

      D) A música tipicamente caipira acompanhada da viola, sanfona ou acordeão. Os negros africanos também contribuíram com as músicas da roça com seus batuques e congadas, misturando a música o seu brilho e requebrados, criando novos ritmos no Brasil.

     E) A roupa tipicamente caipira se originou no interior do Brasil;

        As festas juninas têm o seu brilho especial e diferenciado em cada região do Brasil, pois cada povo contribui com seus costumes e especificidades ressignificando seus conhecimentos, atribuindo novos conceitos, mas não perderam o que há de mais valoroso que é a sua essência.
 VIVA SÃO JOÃO!

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Referências
Festas Juninas – Toni Brandão
Ensino de História, conceitos e temáticas – Martha Abreu e Rachel Soihet
Os Lusíadas na Aventura do Rio moderno – Carlos Lessa
Jornal O Globo – 11/06/2011
Fonte das imagens:
luluonthesky.blogspot.com
viriatoapedrada.blogspot.com
renatadutraarte.blogspot.com

caraibasacontece.blogspot.com

terça-feira, 29 de maio de 2012

Pero Vaz de Caminha

Foi o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral que saiu de Lisboa em 9 de março de 1500, com destino as Índias, em busca de especiarias.  A missão de Caminha era descrever os acontecimentos da viagem.  Mas chegou em 22 de abril do mesmo ano “por acaso” ao Brasil. E relatou com riqueza de detalhes a terra descoberta e seus habitantes em sua carta para o rei D.Manuel I. Está carta ficou conhecida como “Carta de Nascimento” ou “Certidão de Batismo” do Brasil.

Caminha era português e pertencia à classe média da cidade do Porto, filho do fidalgo Vasco Fernandes Caminha. Foi atuante na vida política e administrativa da cidade. Caminha prestava serviços a Coroa, foi cavalheiro das casas de D.João II e depois a D. Manuel I. Em 1476, obteve a função de Mestre da Balança da Moeda da Cidade de Porto.

 Casado, teve uma filha chamada Isabel Caminha, está se casou com um homem violento chamado Jorge de Osório, que foi exilado na África devido às práticas criminosas em Portugal. Assim, Pero Vaz de Caminha pede no final da sua famosa carta, a volta do seu genro para Portugal.

Ao chegar às Índias, depois que saiu do Brasil com a esquadra de Cabral, em 1500, Caminha foi morto pelos mouros que atacaram a feitoria portuguesa. Caso tivesse sobrevivido a esse ataque,talvés teríamos mais detalhes sobre as terras encontradas que foi chamada de Brasil e que os habitantes que aqui já estavam a chamavam de Pindorama.

Leiam trechos da transcrição da carta de Caminha

 Sobre a terra

“... Até que terça-feira da Oitavas da Páscoa, que foram21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha... A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixa ao sul dele; e de terra chã, com grandes árvores; ao qual monte alto o capitão pós o nome de O Monte Pascoal e a terra - A terra de Vera Cruz!”

 Sobre os índios

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes. bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, do comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrês, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.
Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta. mais que de sobre-pente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.”

Sobre a Primeira Missa, rezada pelo Frei Henrique Soares na baía Cabrália.

“E, quando nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez devoção”.

Sobre o seu pedido a D. Manuel I.

“E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, com em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tome a Jorge de Osório, meu genro - o que d' Ela receberei em muita merçê.”


Fonte:
Olhares Próximos – encontro entre antropólogos e Índios pataxó – Autores Bernhard Franz Bierbaun e Maria do Rosário Carvalho
O Prado e o descobrimento do Brasil – Autor Raul Ferraz

http://www.infoescola.com/biografias/pero-vaz-de-caminha/
http://educacao.uol.com.br/biografias/pero-vaz-de-caminha/

Imagens:
http://www.infoescola.com/biografias/pero-vaz-de-caminha/
pt.wikipedia.org

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As Práticas Pedagógicas( Parte II)

                                               
                                 Tendência Pedagógica Progressista                 
Preocupa-se com as questões sociopolíticas da educação. Traz uma visão critica das realidades sociais, em oposição às pedagogias liberais.


1-     Pedagogia Progressista Libertadora
Conhecida como a pedagogia de Paulo Freire.
Propõe uma tomada de consciência da realidade para transformação social.
O professor é um motivador no processo de reflexão critica da realidade vivida pelo aluno.
Pressupostos: Situação problema
Método: predomina o dialogo entre o professor e o aluno, sem relação de autoridade (ambos são sujeitos do conhecimento)

           2-    Pedagogia Progressista Libertária
O aluno é tido como autor da sua própria proposta, é livre e se autogoverna.
O papel do professor é acompanhar o aluno, ser um orientador.
Não existem normas para serem seguidas.

                 3-   Pedagogia Progressista “Critico Social dos Conteúdos”
A função da escola é preparar os alunos para o mundo adulto e suas contradições.
Preparar o aluno para entender o mundo de forma critica.
Professor e aluno trabalham de forma integrada.
Método de ensino: relação direta com a experiência dos alunos



Referência Bibliográfica

 Silva, Delcio Barros. As principais tendências pedagógicas na prática escolar brasileira e seus pressupostos de aprendizagem.

Scheibel, Maria Fani. Tendências Pedagógicas I. Vídeo aulas on-line- IESDE Brasil S/A.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

As Práticas Pedagógicas ( Parte I)

          São todas as ações que viabiliza o processo de ensino aprendizagem dos alunos. Todas as atividades desenvolvidas no cotidiano escolar são tecidas através das praticas pedagógicas pelos professores na sala de aula.
As praticas dos professores estão sujeitas as tendências pedagógicas estruturadas por fundamentos teóricos de diferentes sujeitos do campo da Psicologia da Aprendizagem como Piaget, Vygotsky e outros.
                                                     

1-     Tendência Pedagógica Liberal
        A função da escola é preparar seus alunos para assumir seus papeis na sociedade. Assegurando os valores vigentes, sem que os educandos questionem ou tenham uma visão critica dos problemas sociais.

      Pedagogia Liberal Tradicional
Chegou ao Brasil com os jesuítas, dando continuidade de como  era ensinado na Idade Media.
A educação é centralizadora – o professor é o detentor do conhecimento.
O aluno decora e repete o conteúdo passado pelo professor, exigindo uma atitude passiva do aluno.
Avaliação – prova oral e escrita
Predomina a autoridade do professor e a disciplina é rígida para assegurar atenção dos alunos.

      Pedagogia Liberal Renovada Progressivista
 Foi um avanço na história da educação brasileira, pois o foco passou a ser o aluno.
O aluno passou a trabalhar em grupo, pesquisar
O método é aprender fazendo
O papel do professor: mediador
Principais teóricos: Piaget, Montessori, Dewey e entre outros

     Pedagogia Liberal Não Diretiva
Concentração maior no aluno
A escola está mais preocupada com os problemas psicológicos dos alunos, centrada na formação de atitudes. O aluno busca o conhecimento apartir das suas percepções.
A avaliação é autoavaliativa
O papel do professor; facilitador; auxilia o aluno a buscar o conhecimento.
O principal teórico: Carl Roger.

     Pedagogia Liberal Tecnicista
Implantado na Reforma do Ensino, na Lei 5.692/71
A escola prepara os indivíduos para o mercado de trabalho.
Método de ensino: transmissão e recepção de informações, sem debates, questionamentos e discussões.
O professor transmite a matéria
O aluno recebe, aprende e fixa as informações.
O principal teórico: Skiner

                          Fonte:
Silva, Delcio Barros. As principais tendências pedagógicas na prática escolar brasileira e seus pressupostos de aprendizagem.

Scheibel, Maria Fani. Tendências Pedagógicas I.
                                 Imagem: pt-br.facebook.com

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Os Hebreus

           Os hebreus viveram na Mesopotâmia, na cidade de Ur. Chefiados por Abrão, emigraram para a Terra de Canaã (Palestina), por volta do ano 2.000 a.C. Durante muito tempo, os hebreus viveram na Palestina organizados em comunidades governados por patriarcas (chefes de família) que estabeleceram as bases do judaísmo. Dedicavam-se à agricultura e ao pastoreio. Por volta de 1700 a.C, uma seca assolou a região e a fome abateu-se sobre o povo hebreu, que então emigraram para o Egito.
          No Egito, os hebreus acabaram sendo transformados em escravos. E permaneceram nessa condição por muito tempo. O Faraó não tolerava a crescente influência dos hebreus na sociedade egípcia, devido aos seus costumes diferentes e a sua recusa de seguir suas leis. Lembremos que o povo hebreu venerava um único Deus. Essa perseguição durou quatro séculos, até que, por volta de 1250 a.C liderados por Moíses partiram para a Palestina. Essa fuga em massa ficou conhecida como Êxodo. Duraram quarenta anos a viagem de retorno para a Palestina, foi nesse tempo, segundo relatos bíblicos, Deus transmitiu a Moises, no Monte Sinais, as Tabuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos.
          Ao chegar à Palestina, os Hebreus encontraram outros povos ocupando o território: os cananeus e os filisteus. Comandados por Josué, o patriarca que sucedeu Moíses, iniciaram uma luta para reconquistar o território.

                                      Monarquias Hebraicas

          A fundação do Reino de Israel foi à unificação das doze comunidades hebraicas durante a luta de reconquista da Palestina.
1-     Rei Saul ( 1010 a.C) – primeiro rei de Israel
2-     Rei Davi ( 1006- 966 a.C) – sucessor de Saul venceu definitivamente os filisteus e estabeleceu a Capital do reino de Jerusalém.
3-     Rei Salomão (966-926 a.C) – sucessor de Davi, construiu o monumental Templo de Jerusalém.
          Com a morte de Salomão, o povo hebreu se dividiu formando o Reino de Israel (reunindo dez tribos do norte), com capital em Samaria. E o Reino de Judá (grupo de duas tribos do sul) com capital em Jerusalém.
          O Templo de Jerusalém foi destruído no ano de 586 a. C pelo rei da Babilônia, Nabucodonosor. No ano de 520 a.C, o Segundo Templo foi construído depois que a Babilônia foi domina por Ciro, o persa.
          No ano de 65 a.C., a Palestina foi incorporada ao Império Romano. Os hebreus passaram a pagarem impostos e a ser submetidos ao domínio do Imperador romano. No ano de 70 d.C. um levante contra o domínio imperial, foram expulsos pelo imperador Tito que destruiu Jerusalém e o Segundo Templo. Assim, os hebreus foram dispersos pelo mundo, numa passagem conhecida como Diáspora.
          Com a saída dos judeus, a região foi ocupada por outros povos que já viviam na região. São os antepassados dos palestinos. No ano de 636, toda a Palestina já se encontrava sob o domínio dos muçulmanos que controlavam também os lugares sagrados da Palestina.
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Bibliografia
Israel – Fábio Bourbon
Evolução – A jornada do Espírito – Paulo Guilherme Almeida
Atualidades – Marcos Barbosa.
 Fonte da imagem: : site -ohistoriador.com.br

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Hipácia


          Ágora - Alexandria  é um filme surpreendente e provocante que conta a história da última filosofa da Antiguidade clássica Hipácia e retrata os conflitos entres os judeus cristãos e pagãos que conviviam na cidade de Alexandria no final do século IV d.C., quando o Egito era governado pelos romanos. Também mostra a destruição da Biblioteca de Alexandria pelos cristãos. O cristianismo religião oficial. E a expulsão dos judeus de Alexandria no ano de 415, pelo bispo Cirilo. Alexandria foi fundada por Alexandre, o grande, no ano de 332-331 a.C.

                                                           

        Hipácia foi filósofa e astrônoma que tinha um profundo conhecimento de matemática. Influente pensadora da Antiguidade estudava o movimento dos planetas.  Ela nasceu em Alexandria, no Egito em 370.  Foi educada pelo pai, um grande matemático, astrônomo e filosofo diretor do Mudeu de Alexandria, chamado Teón. Ela ensinava os princípios da filosofia e vestia o manto dos filósofos.  Profunda estudiosa do universo, especialmente sobre a curva do eclipse que rege os movimentos dos planetas. Foi celibatária até o fim de sua vida. Há uma cena no filme que retrata bem isso: Um aluno apaixonado quer namorá-la, Hipácia, então mostra um de seus panos higiênicos, usados na mestruação e diz: “É isto que tu amas na verdade e não a beleza por sim mesma”
         Hipácia tinha amizade e influência sobre as decisões do prefeito da cidade chamado Orestes, por isso tornou-se inimiga da política do bispo de Alexandria chamado Cirilo. Como Hipácia era pagã, então o bispo Cirilo resolve ser contra a filosofia. Espalha boatos pela cidade que a filosofa é uma bruxa e que controlava Oreste através de magia negra.
           A população mais simples ficou apavorada. Os cristãos a leva para a igreja de Cesarion, no Egito, lá ela é despida e apedrejada. O seu corpo é mutilado, Conta o filme que Cirilo tomou o poder de Alexandria e depois de morto Roma o declara santo. E nada se sabe sobre Oreste.
O filme é interpretado pela atriz, a inglesa Rachel Weiz e a direção de Alejandro Amenabar. 

Indicação de filme: Ágora

Fonte: Aventuras na História- Abril 2010

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O café

                  Antigas fazendas de café do Rio de Janeiro

O café, conhecido na Bahia como “menorzinho”, já teve seus séculos de glória na Europa e no Brasil. O seu nome científico é coffea arábica. Uma planta originária da África que foi cultivada pelos árabes durante anos. No século XVII, o produto tornou-se conhecido na Europa e no século XVIII a produção de café atingiu as Antilhas.
          Durante o Segundo Reinado, o café substituiu o açúcar como principal produto de exportação. Foi introduzido no Brasil por volta de 1727 por Francisco de Melo Palheta que trouxe as primeiras mudas de café e levou para o Pará.  Na região sul, o café encontrou condições apropriadas ao cultivo, com chuvas bem distribuídas durante o ano, e o solo de terra rouxa favoreceu o seu desenvolvimento.
          Nas primeiras décadas do século XIX, no Rio de Janeiro formaram-se as grandes fazendas de café. As plantações foram se expandindo para o litoral até Angra dos Reis e Parati. Atingiu o litoral norte de São Paulo (Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião). Expandiu até Resende e Vassouras, no Vale do Paraíba. As exportações eram feitas pelo porto do Rio de Janeiro, São Paulo, porto de Santos e Paranaguá, no Paraná.
          O principal comprador era os Estados Unidos, que compravam até 50% do café vendido no país. Esse aumento de consumo aconteceu a partir de 1776, ano da Independência dos Estados Unidos. Os americanos começaram a substituir o chá importado dos ingleses pelo café.
          A agricultura brasileira era baseada em três elementos: a grande propriedade, a monocultura e o trabalho escravo. Os grandes fazendeiros de café eram conhecidos como “Barões do café”, estes fizeram grandes fortunas.
          O café gerou muitas riquezas para o Brasil, tornou a economia nacional mais estável. Também estimulou a construção de ferrovias, o desenvolvimento dos meios de transportes e comunicação(telégrafo e telefone). Surgiram as primeiras indústrias e o trabalhador livre configurou como elemento novo dentro da sociedade brasileira.

Bibliografia:
História do Brasil Volume 2- Maria Januaria Vilela Santos
Para Entender a História – Divalte Garcia Figueira, João T. Vargas
História Memória Viva - Cláudio Vicentino

Imagens: Alexandre Bissoli 




quinta-feira, 19 de abril de 2012

Fortes de Salvador


Os fortes foram construídos no período colonial com o objetivo de defender Salvador contra os ataques dos índios e dos invasores estrangeiros, corsários e piratas.

          Forte de Santo Antônio da Barra (hoje Farol da Barra).
É o mais antigo forte do Brasil, construído em 1534. Hoje é administrado pela Marinha.  Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
          Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat (Cidade Baixa)
Construído em 1583, primeiro forte a fazer referência a uma santa. Sua localização é uma posição estratégica, no ponto mais alto da península. Administrado pelo exército. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
          Forte de Santo Alberto (Avenida Jequitaia)
Construído como torre entre 1590 e 1610, chamado de Forte lagartixa em referência ao canhão lagartixa. Também conhecido como Torre de São de São Tiago Tinha a função de proteger o ancoradouro de São Joaquim.
          Forte de são Marcelo
Construído em 1623, primeiro foi erguido em madeira, depois reconstruído em alvenaria para impedir as invasões holandesas com seus 19 canhões em 1624. Conhecido como Forte do Mar é o único do Brasil em formato circular. Seu nome inicial era Forte de Nossa Senhora do Pópulo de São Marcelo. Abrigou o líder da Revolução Farroupilha Bento Gonçalves e rebeldes da Sabinada. Em 1836, aconteceu a Revolta do Mar que foi uma revolta federalista dos presos dentro do forte. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

                                              Forte Santo Antônio da Barra
          Forte de São Diego
Construído no inicio do século XVII. Foi reconstruído durante o governo geral de Diego Luis de Oliveira (1626-1635). Administrado pelo exército.
          Forte de Santo Antônio Além Carmo
Construído em1627, ano da expulsão dos holandeses de Salvador. Foi Casa de Detenção em 1950, desativado em1976. Abrigou presos políticos durante o regime militar.
          Forte de São Pedro (Campo Grande)
Construído em 1646. Foi o local em que os militares baianos se rebelaram contra o governo colonial português em 1822.
          Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo
Conhecido como Forte do Barbalho, construído em 1712, funcionou como cadeia pública e quartel de artilharia – Forte das Armas. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
          Forte Bateria de São Paulo da Gamboa (Gamboa de Baixo)
A artilharia do local foi a primeira a saudar a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
          Forte de Santa Maria
Foi ocupada pelos revoltosos durante a revolta da Sabinada (1837-1838). Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Fonte:


domingo, 8 de abril de 2012

O país mais pobre das Américas


          
           Descoberto em 1492 por Cristovão Colombo, o Haiti foi único país a se tornar independente através de uma revolução escrava. A sua cronologia é o seguinte:
          Em 1697, o Haiti tornou-se colônia da França e da Espanha após um tratado de cooperação, resultando na divisão da ilha em Republica Dominicana e Haiti. A economia era basicamente na produção de açúcar e na mão de obra escrava.
          Em 1804, os escravos negros dominados pelos franceses declararam independência, liderados pelo escravo Toussaint L’ouverture, o conflito deixou mais de 200 mil mortos.
         Em 1956, inicia-se a dinastia sangrenta de François Duvalier, o Papa Doc e sua milícia tonton macoutes( bichos-papões) que dominou o país. Depois o seu filho Jean- Claude, Baby Doc deu continuidade ao regime de terror no país. Foi deposto em 1986 por um golpe militar.
          Em 1991, o primeiro líder democraticamente eleito no país, Jean-Bertrand Aristide, também sofreu um golpe militar, mas retornou a presidência em 1994 com ajuda de Bill Clinton,
          Em 2004, Aristide foi retirado do país pelos EUA, no governo de George W. Bush. Nesse mesmo ano, foi criado pelo Conselho de Segurança da ONU a Minustah (Missão das Nações Unidas para estabilização do Haiti) para restaurar a ordem devido a sua indefinição política e das ações de grupos organizados que elevam o índice de violência no país.
          O Brasil chefia a missão de paz no país. Conta com cerca de 7.340 militares de várias nacionalidades, entre eles 1.266 mil são brasileiros. A ONU prevê a redução desses soldados neste ano de 2012.
          O Haiti continua um país mergulhado numa crise sem proporções que depois do terremoto de 2010 a sua situação se agravou. O país está em uma zona de instabilidade geográfica, localizado entre duas placas tectônicas, sujeito a tremores e furações. Em 2010, foi atingido por um terremoto que destruiu sua capital, Porto Príncipe, morreram mais de 220 mil pessoas
          Hoje, o país sofre com o cólera, a maioria da população não tem acesso a água limpa e ao saneamento adequado, assim a proliferação da bactéria do cólera vem matando milhares de pessoas no Haiti,segundo o Ministério da Saúde do país. O índice de violência e desemprego é alarmante.
          Em fevereiro de 2012, a presidente Dilma Rousseff visitou o Haiti e a pauta da sua agenda foi à migração de haitianos no Brasil. Os estrangeiros chegam ao país por meio da fronteira no Amazonas e no Acre, o governo brasileiro pretende regularizar a situação desses haitianos e conceder vistos de permanências de cincos anos para aqueles que vierem ao país. A presidente visitou a Base General Bacellar, onde estão os militares brasileiros que atuam na missão de paz.
         O atual presidente Michel Martelly encontra dificuldades em reconstruir um país devastado economicamente e social.
  


Fonte:
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