terça-feira, 29 de maio de 2012

Pero Vaz de Caminha

Foi o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral que saiu de Lisboa em 9 de março de 1500, com destino as Índias, em busca de especiarias.  A missão de Caminha era descrever os acontecimentos da viagem.  Mas chegou em 22 de abril do mesmo ano “por acaso” ao Brasil. E relatou com riqueza de detalhes a terra descoberta e seus habitantes em sua carta para o rei D.Manuel I. Está carta ficou conhecida como “Carta de Nascimento” ou “Certidão de Batismo” do Brasil.

Caminha era português e pertencia à classe média da cidade do Porto, filho do fidalgo Vasco Fernandes Caminha. Foi atuante na vida política e administrativa da cidade. Caminha prestava serviços a Coroa, foi cavalheiro das casas de D.João II e depois a D. Manuel I. Em 1476, obteve a função de Mestre da Balança da Moeda da Cidade de Porto.

 Casado, teve uma filha chamada Isabel Caminha, está se casou com um homem violento chamado Jorge de Osório, que foi exilado na África devido às práticas criminosas em Portugal. Assim, Pero Vaz de Caminha pede no final da sua famosa carta, a volta do seu genro para Portugal.

Ao chegar às Índias, depois que saiu do Brasil com a esquadra de Cabral, em 1500, Caminha foi morto pelos mouros que atacaram a feitoria portuguesa. Caso tivesse sobrevivido a esse ataque,talvés teríamos mais detalhes sobre as terras encontradas que foi chamada de Brasil e que os habitantes que aqui já estavam a chamavam de Pindorama.

Leiam trechos da transcrição da carta de Caminha

 Sobre a terra

“... Até que terça-feira da Oitavas da Páscoa, que foram21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando da dita Ilha... A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixa ao sul dele; e de terra chã, com grandes árvores; ao qual monte alto o capitão pós o nome de O Monte Pascoal e a terra - A terra de Vera Cruz!”

 Sobre os índios

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes. bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, do comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrês, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.
Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta. mais que de sobre-pente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.”

Sobre a Primeira Missa, rezada pelo Frei Henrique Soares na baía Cabrália.

“E, quando nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez devoção”.

Sobre o seu pedido a D. Manuel I.

“E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, com em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer graça especial, mande vir da ilha de São Tome a Jorge de Osório, meu genro - o que d' Ela receberei em muita merçê.”


Fonte:
Olhares Próximos – encontro entre antropólogos e Índios pataxó – Autores Bernhard Franz Bierbaun e Maria do Rosário Carvalho
O Prado e o descobrimento do Brasil – Autor Raul Ferraz

http://www.infoescola.com/biografias/pero-vaz-de-caminha/
http://educacao.uol.com.br/biografias/pero-vaz-de-caminha/

Imagens:
http://www.infoescola.com/biografias/pero-vaz-de-caminha/
pt.wikipedia.org

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